A reabilitação urbana é um dos principais eixos norteadores do reposicionamento de Portugal no panorama internacional a que temos assistido na última década. Ao abandonar aquilo que era a “musealização da ruína” do edificado urbano, a reabilitação urbana, impulsionada por políticas públicas ambiciosas e uma valorização do edificado existente, tornou-se parte de um motor de revitalização económica, de atração de investimento e de requalificação do património construído.
Ainda assim, a redinamização do tecido urbano não tem sido isenta de dificuldades e de desafios. Com efeito, um quadro jurídico-urbanístico paulatinamente denso e complexo, em que tentativas de simplificação não têm conseguido produzir o efeito pretendido, levou à criação de regimes especiais de exceção, interpretações municipais divergentes e – porventura – a uma atitude excessivamente conservadora. Daqui tem vindo a resultar, por sua vez, uma menor previsibilidade das decisões em sede de licenciamento, com uma morosidade já quase percecionada como normal.
Este pano de fundo coloca hoje os seguintes desafios aos operadores: como conciliar planos urbanísticos frequentemente desatualizados com projetos que exigem adaptações ao edificado pré-existente? Como interpretar parâmetros urbanísticos dúbios, quando aplicados a edifícios em contexto consolidado? Até que ponto pode a práxis administrativa vincular as entidades públicas perante um setor a atravessar mudanças disruptivas?
Perguntas que se esperam discutir numa sessão promovida pela PLMJ, seguida de um debate entre vários intervenientes com relevância no setor.
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